quinta-feira, 14 de julho de 2011


Este tocador de violão que vos fala, meu sobrinho Iandê e meu irmão Chico Gileno, 
cantor e compositor, em reunião familiar


James Jefferson e suas baianidades

Este ano de 2011 é o limite para que toda escola pública e privada do Brasil inclua o ensino de música em sua grade curricular, e não se vê qualquer movimento na rede municipal de ensino de Cabo Frio, para o cumprimento da Lei nº 11.769, sancionada em 18 de agosto de 2008 pelo presidente Lula e publicada no Diario Oficial da União.

O ensino da música não é como antigamente, e fazia parte do curriculum das escolas, e quando aprendi as notas musicais e canto orfeônico. Daí passei a prática de um instrumento, o violão, porque era terminantemente proibido de soprar o saxofone do meu pai,  músico da banda marcial da cidade. Ele receava que eu estragasse a palheta do seu sax, o que me fez optar pelo violão, e isto me serviu até o vestibular na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia.


Tenho um sobrinho que prestou vestibular na UFES, e ele me contou que a exigência é que o candidato saiba tocar um instrumento, e as noções musicais serão aprendidas ao longo do curso. Atualmente o MEC recomenda que além das noções básicas de música, dos cantos cívicos  nacionais e dos sons dos instrumentos de orquestra, os alunos aprendam cantos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para, assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil.

De acordo com a diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical, (ABEM), “A música contribui para a formação integral do indivíduo, reverencia os valores culturais, difunde o senso estético, promove a sociabilidade e a expressividade, introduz o sentido de parceria e cooperação, e auxilia o desenvolvimento motor, pois trabalha com a sincronia de movimentos”. Sonia acrescenta que “ao entrar em contato com a música, zonas importantes do corpo físico e psiquico são acionadas, e a criança expressa emoções que não consegue expressar com palavras”.

Para completar, é importante observar a quantidade de novos talentos que surgem a cada dia, o  que transforma Cabo Frio num grande celeiro de músicos, mas infelizmente sem o apoio governamental, pois suas excelências preferem contratar “famosos”, que fazem sucesso no Domingão do Faustão, com shows superfaturados, pois é o que mais interessa.

terça-feira, 5 de julho de 2011


As baianidades de James Jefferson
As Carpideiras ...

Os velórios na região Nordeste são chamados de Sentinelas, e por vezes Incelenças, corruptela de Excelência. O termo remete a uma ampla coleção de cantigas executadas em razão dos falecimentos. 

Normalmente são executadas na cabeceira do defunto, e existem por lá as carpideiras, disponíveis em troca de café, refresco, salgadinhos, biscoitos, enfim, um lanchinho para varar a madrugada antes do enterro.

A prática, entretanto não é oriunda do nordeste brasileiro, e já a encontrei em filmes rodados na Grécia (Zorba), e em outros na Espanha, Portugal e Itália, numa evidência que o costume foi trazido para cá pelos colonizadores. Participante de um grupo folclórico em Salvador, o Viva Bahia, de onde surgiu o Olodum, e hoje Balet Brasileiro da Bahia, mostramos nos palcos, Teatro Castro Alves, Vila Velha, Convento de São Bento, nas ruas e clubes, pátios de escolas, de diversos estados do Brasil, a Incelença, onde atrizes entoavam versos profanos; 

“De que foi que ele morreu?
Não foi da morte de Deus, 
No pasto de Geremia, meu irmão,
De um coice que o jegue deu”.

É que as carpideiras têm que inventar outras letras para gastar o tempo até o amanhecer. No cancioneiro popular as incelênças são cantadas por artistas como Elomar, Xangai, Geraldo Azevedo e muitos outros.

Neste artigo, quero prestar homenagem ao poeta Zé Casimiro, nordestino de boa cepa que acaba de nos deixar por obra e graça da insensibilidade de algumas insolências no poder na cidade de Cabo Frio. Após 25 anos vendendo livros e distribuindo confeitos, (é assim que se fala no nordeste), em frente à galeria do edifício onde funciona a Rádio Cabo Frio, o poeta e sua banca foram transferidos para um corredor no Charitas, causando depressão e outros males. A causa mortis, segundo o atestado de óbito: Complicações Respiratórias.

“Uma incelença, 
entrou no paraíso
Adeus irmão, adeus,
Até o dia do Juízo”.

Assista um vídeo do youtube,
http://www.youtube.com/watch?v=y5Hhlz_Fa1M&feature=related

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A baianidade de *James Jefferson

Papo de Samba?

Relendo, e dando um passeio pelo Tempo Machadiano, me deparo com uma observação do fundador e dono da cadeira número um da Academia Brasileira de Letras.
 – Os adjetivos nascem de um lado, e os substantivos de outro, e toda sorte de vocábulos está assim dividida por motivo de diferença sexual, ou seja: as palavras têm sexo, amam-se umas às outras, casam-se, e o casamento delas é o que chamamos estilo.




Neste conto, “O cônego ou a metafísica do estilo”, Machado de Assis conta a história de Matias, cônego honorário e pregador efetivo que estava compondo um sermão encomendado para certa festa próxima, e apesar de recusar o encargo, aceitou depois de
 ouvir elogios do principal dos festeiros:
- Vossa Reverendíssima faz isto brincando, afirmou.
Matias sorriu manso e discreto, como devem sorrir os eclesiásticos, os jornalistas e os diplomatas, começou de má vontade, mas no fim de alguns minutos já trabalhava com amor.

A introdução acima não é um lamento, mas um desabafo deste humilde escriba, acostumado com as ordens de certos editores-chefes, que têm força de lei, decreto, o escambau. Desta feita, a principal mandatária desta revista eletrônica determinou que o Papo de Samba? desta semana versará sobre as festas juninas, e “tamos” conversados.

Então voltando ao Machado de Assis, as circunvoluções do cérebro eclesiástico, e o sexo das palavras atrás do substantivo que procura o adjetivo. Silvio chama por Sílvia. Escutai; ao longe parece que suspira também alguma pessoa; é Silvia que chama por Sílvio.


E a minha batata, continua assando na fogueira acesa pelo Ivan Cruz, na festa de comemoração dos seus 64 anos. E não foi somente batata doce na fogueira, mas milho verde, além de foguetes, estalinhos para as crianças, canjica, mugunzá, quentão, licor de jenipapo e muitas outras iguarias a que todos nós temos direito, concedidas pelos três santos do mês: Antonio, João e Pedro.

Ah! Sim. As palavras se amam, se casam ou apenas se juntam e formam textos como esse aí acima, ou viram poesias e ou até letras de músicas, que o digam Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago:
Com a filha de João
Antônio ia se casar,
mas Pedro fugiu com a noiva
na hora de ir pro altar.
A fogueira está queimando,
o balão está subindo,
Antônio estava chorando
e Pedro estava fugindo.


E no fim dessa história,
ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio,
que caiu na bebedeira.


* James Jefferson
é fabricante de gaiola, bebedor de cachaça e tocador de violão

Sábado tem sabor de 'Papo de Samba?'

As baianidades ...


... de James Jefferson



Comentei aqui na semana passada que a Telma vive pegando no meu pé, desde que aceitei escrever algo sobre samba na excelente revista eletônica Visão Laflora e como afirmam por aí que feitiço pode virar contra o feiticeiro, venho pagando com a mesma moeda.
Se alguém aí ainda não sabe, além de fabricante de gaiola, bebedor de cachaça e tocador de violão, sou editor do jornal eletrônico Agora Cabo Frio, www.agoracabofrio.com, e venho também pegando no pé da Teresinha Semblano, minha cara-metade e responsável pelas receitas publicadas no referido, e excelente, site de notícias.




Toda semana é a mesma coisa:

-Tetê, cadê a receita?






Aproveitando a deixa, quero de uma vez desmitificar a velha história de que baiano é preguiçoso.


Vocês já viram como dá trabalho preparar um vatapá, um acarajé, um abará,  um sarapatel, ou mesmo um angu à baiana, inexistente nas bandas de lá?
Alguém aí já percebeu como o baiano é festeiro todos os dias da semana?
Tem festa prá Yemanjá, prá Yansã, Santa Luzia, Conceição, a festa do Senhor do Bonfim começa na quinta feira, com a lavagem do adro da igreja e vai até a meia noite de domingo, quando todos os festeiros se deslocam para comemorar a Segunda Feira Gorda da Ribeira, Lapinha, Rio Vermelho, Pituba, e por aí vai até chegar a Festa de Arembepe.
Vocês acham que tanta festa não cansa?
Vocês acham que ainda não tem Carnaval, os Festejos Juninos, e as Micaretas do interior?
Não quero aqui causar inveja, e peço encarecidamente que o querido leitor pense duas vezes e faça uma análise sobre o nosso comportamento aparentemente preguiçoso.
E para comprovar, como dá trabalho preparar uma receita da rica culinária da boa terra, acesse o link http://www.youtube.com/watch?v=lFjx2PVqga8&NR=1

Papo de Samba? Só se for com James Jefferson ...

 ... e suas baianidades



A minha loura preferida, - não é a Devassa, - resolveu pegar no meu pé e na minha proverbial preguiça baiana, desde que eu resolvi, a pedido, escrever algumas maltraçadas linhas para a excelente revista Visão Laflora.

 A idéia era tecer comentários sobre o samba cabo-friense, mas que samba?

Em Feitio de Oração, canção de Noel Rosa e Vadico, o parceiro de Noel já afirmava que “Samba não se aprende no colégio”,e eu observo que a maioria dos compositores, ou seja, o povo do samba em sua maioria é gente desprovida de recursos financeiros, e muitas vezes semi-analfabeta.

João do Vale, cunhado do nosso Torres do Cabo, não sabia ler, nem escrever, ou seja: era analfabeto de pai, mãe e parteira.
São dele os versos de “Na asa do vento”:

Deu meia noite, a lua faz um claro
Eu assubo nos aro, vou brincar no vento leste
A aranha tece puxando o fio da teia
A ciência da abeia, da aranha e a minha
Muita gente desconhece
Muita gente desconhece, olará, viu?
Muita gente desconhece
Muita gente desconhece, olará, tá?
Muita gente desconhece
A lua é clara, o sol tem rastro vermelho
É o lago um grande espelho onde os dois vão se mirar
Rosa amarela quando murcha perde o cheiro
O amor é bandoleiro, pode inté custar dinheiro
É fulô que não tem cheiro e todo mundo quer cheirar
Todo mundo quer cheirar, olará, viu?
Todo mundo quer cheirar
Todo mundo quer cheirar, olará, tá?
Todo mundo quer cheirar.


Pois bem. Voltando à nossa realidade cabo-friense, onde o dinheiro público faz a festa para alguns agraciados donos de escolas de samba, os nossos compositores raramente são vistos em rodas de samba, e ganham “algum”, quando vencem as disputas dos enredos na época do carnaval, e justamente na cidade que é considerada celeiro de verdadeiros talentos musicais. Não cito os nomes para não cair naquela velha história de “posso cometer injustiça, se acaso esquecer algum deles”.

Aproveito para recomendar o blog do neto de Silas de Oliveira, um dos expoentes do
 samba enredo, e autor de verso como, “Ohh, minha romântica senhora tentação..”, de verdadeira pérola da música popular universal. Junior de Oliveira também é músico, o blog está começando, mas vale a pena dar uma olhada.