domingo, 5 de junho de 2011

James Jefferson e suas baianidades ....

Papo de Samba?

O irmãozinho Ivo Saldanha, quando prefeito desta maravilhosa cidade invadiu, ou desapropriou, não se sabe ao certo, o terreno da 1001, em frente a garagem da Salineira e ali construiu o Mercado Sebastião Lan.

Líder comunitário de então, Sebastião Lan foi assassinado por defender a terra de onde a sua, e as demais famílias retiravam os seus sustentos, e na ocasião, todos aplaudiram a justa homenagem prestada pelo irmãozinho. O mercado viria ser o local onde os produtores rurais iriam comercializar os seus produtos hortifrutigranjeiros. Sob protestos e reclamações, Saldanha acabou com as feiras livres do bairro de São Cristóvão e da Praia do Forte, no local onde foi construído o Teatro Municipal, e ainda resta um terreno onde fatalmente será construído outro prédio nos moldes do que já está sendo erguido sob o beneplácito do atual desgoverno da cidade.

Voltando ao mercado Sebastião Lan, de produtos hortifrutigranjeiros fornecidos pelos produtores, hoje chamados de agricultores familiares, além dos vendedores de roupas, o local serve para o comercio de quinquilharias importadas da China, ou do Paraguai, como quiserem identificar os prezados leitores, como também impera a farra da pirataria, CDs e DVDs, vendidos sob o manto protetor da fiscalização da prefeitura municipal, desde que paguem pelo uso do espaço onde comercializam as suas muambas e quinquilharias.

Como todo mercado popular que se preza, o morador da cidade escolheu o local para o lazer, e aos domingos serve para encontro de apreciadores de comidas como sarapatel, dobradinha, mocotó e churrasquinho de gato, que de gato não tem nada, regadas com uma cervejinha gelada. Para animar, o teclado de Wal Cigano e o forró, música nordestina da melhor qualidade.

O tempo passa, o tempo voa e o mercado também tem pressa e é preciso mudanças. A prefeitura resolve melhorar o pedaço e mandou construir novos boxes para o comércio de peixe, e mais um puxadinho para abrigar os bares e os seus comensais. Tudo bem limpinho, coberto e devidamente cimentado para evitar a poeira em tempo de sol e a lama provocada pela chuva.

E você que me acompanhou até agora me pergunta: por que esse papo se a Telma pediu prá você escrever sobre samba?

E eu respondo com clareza e a simplicidade que me foi dada por quem inventou o compasso 7 por 4, que está faltando o olhar dos sambistas da cidade, para um local onde poderia reinar uma despretensiosa roda de samba, também aos domingos. Lógico que teria que ser de modo acústico, sem parafernálias eletrônicas, estas que ferem os nossos ouvidos.
 James Jefferson
é fabricante de gaiola, bebedor de cachaça e tocador de violão

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